Trilogia Aghora de Robert E. Svoboda

oitava campanha da Palimpsestus trás a tão esperada trilogia Aghora, do pesquisador e doutor em ayurveda Robert E. Svoboda, é uma das obras mais rigorosas já escritas sobre essa tradição. Ao narrar a história do mestre Vimalananda e da relação de discípulo que manteve com ele durante oito anos, Robert E. Svoboda constrói uma obra imprescindível para quem se interessa por tantra, tradições espirituais indianas, cultura, yoga, religião e espiritualidade.

A trilogia foi escrita como um corpo único e conceitual estruturado em três eixos principais: o caminho espiritual guiado pela mão esquerda de Deus, a energia kundalini e o karma. Presença constante em bibliografias especializadas, estudos tântricos e cursos sobre espiritualidade e antropologia do sagrado, essa será a primeira obra em português sobre o tema.

Segundo Vimalananda, a essência da palavra sânscrita “aghora” (अघोर) pode ser traduzida por “luz” ou “ausência de escuridão” —aquilo que nos distancia do terrível ou que está além do medo. Nesse sentido, aghora seria a disciplina espiritual do tantra que nos convoca a transformar a escuridão e as limitações humanas em luz espiritual.

Ao assumir uma visão não dualista da realidade —em que não há separação entre sagrado e profano, puro e impuro—, praticantes dessa doutrina, a quem chamamos de aghori, entendem o mundo como um local de transiçãoAghoris não buscam se afastar de experiências que causam repulsa, mas sim atravessá-las sem se deixar afetar por elas, promovendo uma integração genuína de todos os aspectos da existência.Fora de seu contexto, a tradição aghora costuma ser relacionada a seus aspectos rituais mais radicais, como interação com cadáveres, manipulação de crânios e ossos humanosantropofagia, uso de entorpecentes e até consumo de excrementos. Mas essa é uma visão macabra e reducionista, pois desconsidera que a tradição tem uma filosofia interna sofisticada, um objetivo espiritual e um estado de consciência que fundamentam seus rituais.

A trilogia Aghora busca exatamente o contrário dessa visão extrema e estereotipada: ao longo de mais de 1.000 páginas, Robert E. Svoboda nos mostra a lógica disciplinar, ontológica e ética que sustenta a tradição.

Esta é a primeira vez que temos um relato sobre a tradição contado pela perspectiva de um mestre aghori —neste caso, Vimalananda. Durante oito anos, entre 1975 e 1983, Robert E. Svoboda desenvolveu com seu mestre uma conexão profunda que extrapola a relação entre “guru e discípulo”. Ele foi o “filho espiritual” e o “escriba” de Vimalananda, aprendendo com o mestre os aspectos mais profundos da tradição para que fossem compilados e apresentados ao mundo. Vimalananda, por sua vez, atuava como guia espiritual de Robert, defendendo-o psíquica e espiritualmente em diferentes instâncias.

Mas quem foi Vimalananda?

Falecido em dezembro de 1983 aos 67 anos, Vimalananda nos é apresentado como uma figura complexa e multifacetada, que viveu no mundo moderno enquanto mantinha práticas espirituais antigas e extremas. Para evitar distrações externas e proteger sua privacidade e a de seus mestres, preferiu guardar seu nome de nascimento em segredo. Proveniente de uma família rica e influente de Bombaim, foi educado formalmente em inglês e falava várias línguas. Foi lutador semiprofissional de luta livre durante anos, vencendo diversos combates até os 38 anos. Ele também é descrito como apostador e proprietário de cavalos de corrida, músico, cantor, astrólogo e médico ayurveda. Viveu a maior parte da vida adulta em Bombaim, contrariando o estereótipo do aghori nu e coberto de cinzas. Sempre rejeitou o título de “guru”, pois acreditava que cada pessoa tinha autonomia em seu próprio caminho.

Sua prática central era a devoção intensa à Deusa Mãe, especificamente na forma de Smashan Tara. Ele via a divindade em tudo, inclusive nos aspectos mais terríveis da existência. Realizava rituais extremos, incluindo shava sadhana, para superar as limitações humanas e o medo da morte. Tinha uma compreensão profunda da lei do karma e encarava suas atividades “mundanas” como uma forma de trabalhar dívidas cármicas complexas. Faleceu em 1983, momento em que viu a realização de algo que previra anos antes: seus familiares não estariam presentes em seu funeral, e o responsável por sua cremação seria seu filho espiritual — o próprio Robert.

O resultado disso é o que encontramos na trilogia. Robert se compromete a entregar um texto claro, que nos conduz por uma experiência autêntica da tradição. As práticas narradas não aparecem como curiosidades ou provocações, mas como instrumentos espirituais e meditações livres de preconceitos —ferramentas que ajudam a conduzir o ser humano a um entendimento melhor de sua existência e de seu papel no mundo.

Trata-se de uma obra que resiste à lógica da sociedade de consumo, a qual se apropria superficialmente das tradições para a satisfação imediata dos prazeres, e que propõe a espera e o confronto em um tempo no qual as pessoas vêm desaprendendo a lidar com a frustração.

O primeiro volume introduz a história de Vimalananda e a filosofia fundamental do caminho da mão esquerda. O livro detalha sua iniciação através de rituais em campos de cremação, como o shava sadhana (prática sobre um cadáver), e sua relação com a deusa Smashan Tara, oferecendo uma perspectiva única sobre como superar os oito laços da existência humana, incluindo o medo e o nojo. Também trata da importância do confronto ao que a sociedade considera “terrível” para transmutar a escuridão em iluminação. A narrativa enfatiza que a verdadeira Aghora é interna e exige uma mente inabalável e uma pureza profunda.

Dividido em dez capítulos: “Ma”, “Shakti”, “Shiva”, “Rnanubandhana”, “Girnar”, “Mentores”, “Aghora”, “Espíritos”, “Avishkara”, “Sexo”, “Devoção”.
Algumas práticas e rituais apresentados: pranayamasjapa yoga, revisão noturna do dia (“Eu vivi?”, “Eu amei?” e “Eu ri?”), niyama (disciplina pessoal), pitr tarpana (oferenda a ancestrais).


Centrado na “Mãe do Microcosmo”, este volume explora a natureza da Kundalini Shakti, a energia criativa de autoidentificação que reside em cada ser humano. O texto descreve minuciosamente o sistema de nadis (canais etéreos de energia denominados sushumnaida pingala) e os nove chakras (indo além dos sete centros comumente conhecidos), além de nos mostrar como a energia que nos prende às limitações (ahamkara, ego) é a mesma que nos liberta quando desperta como Kundalini. Despertar essa força pode levar ao estado de samadhi (equilíbrio perfeito) e à união definitiva entre o eu individual e o Absoluto. O yoga e a meditação são práticas fundamentais para essa transformação.

Dividido em dez capítulos: “Agni”, “Kundalini”, “Preliminares”, “Sadhana”, “Mantra”, “Tantra”, “Música”, “Imortais”, “Ramayana esotérico”, “Gurus e discípulos”.
Algumas práticas e rituais apresentados: swara yoga (equilibrar as narinas), kevala kumbhaka (retenção espontânea da respiração), homa (adoração do fogo), japa yogamanasa puja (mentalização de oferendas), nada yoga (yoga do som).


Utilizando o mundo das corridas de cavalo como uma alegoria vibrante para o jogo da vida, este volume desvenda a complexidade do karma e do rnanubandhana (vínculos de dívida cármica). O karma não é punição nem recompensa, mas rede de vínculos e consequências que atravessam indivíduos, famílias, linhagens e territórios. A obra discute como ações passadas, maldições e a influência de planetas como Saturno moldam o destino, e ensina que a verdadeira liberdade reside em cumprir o próprio dharma vivendo em harmonia com a realidade e cultivando a devoção absoluta, duas formas de navegar com graça pelo oceano do karma.

Dividido em dez capítulos: “Stoney”, “Elã”, “Rufiões e garanhões”, “Timir”, “Rubi Escarlate”, “A cidade da ilusão”, “Repay”, “Pedra Vermelha”, “Prakriti Siddhi”, “Epílogo”.
Algumas práticas e rituais apresentados: meditação agnihotratyaga (renúncia dos frutos), shiva manasa pujasatsanga (espírito de comunidade), runanubandha (limpeza de memórias físicas e energéticas).

 

Robert E. Svoboda é escritor e médico ayurvédico reconhecido internacionalmente por sua atuação entre tradições espirituais indianas. Foi o primeiro ocidental a se graduar em uma universidade de ayurveda na Índia, concluindo seus estudos na Universidade de Poona em 1980 depois de receber diversos prêmios por excelência acadêmica.

Antes disso, graduou-se em química pela Universidade de Oklahoma e viveu por anos na Índia, onde estudou ayurveda, yoga, jyotisha e tantra, tendo convivido intensamente com o aghori Vimalananda — figura central da trilogia Aghora.

Autor de mais de uma dezena de livros, Svoboda distingue-se pela objetividade pedagógica com que apresenta as tradições. Em Aghora, ele não se coloca como mestre nem como intérprete autorizado, mas como testemunha envolvida em um processo de aprendizagem rigoroso, transmitido por linhagem viva. Já publicou em português os livros A grandeza de Saturno Tao e Dharma.

O trabalho de Robert S. Svoboda na trilogia Aghora confronta diretamente:

• a psicologização ocidental das tradições espirituais indianas;
• a exotização da mão esquerda como espetáculo transgressor;
• o moralismo religioso travestido de espiritualidade;
• o espiritualismo de consumo, orientado a resultados rápidos.

Confira entrevista com o autor no podcast BeerBiceps:

https://www.youtube.com/embed/M4n8M8KFvG4

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